Onde estão os rios da minha infância?
Rios onde aprendi a nadar, a brincar como peixes,
solto, livre?
Onde estão os pescadores que sorriam satisfeitos
a cada fisgada?
Piabas, jundiás, sarapós, cascudos pescados em
locas de pedras, pitus...
Quantos mergulhos longos, olhos abertos sob a água
límpida e fria!
São, hoje, grandes esgotos.
Pescadores não mais existem.
As varas foram substituídas por canos PVC
que fuzilam as águas causando a morte dos
últimos sobreviventes.
Onde estão os rios da minha infância:
Rio Jaboatão, Rio Duas Unas?
Estão mortos.
Sobrevivem apenas na minha memória e morrerão
comigo e serei como eles: apenas lembranças.
Rios da minha infância:
O que fizeram com vocês?
Tarcísio Souza
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