Ela me vem assim...
calma e sorrateira.
Entra sem pedir licença
e, antes que eu diga sim, revira
minha vida, mexendo num passado
que insisto em esquecer.
Uma música que soa como um sino
nos meus ouvidos, um velho
filme em preto e branco, uma
fotografia desbotada numa parede
quase sem cor, a mesa com seis cadeiras
esperando para o almoço,
o banho de rio, as peladas diárias,
velhos amigos, antigos inimigos
de um período de inocência...
Tudo,tudo virou cinzas,...
A criança, em mim, já não existe,
amigos, do passado, são estranhos,
pais, parentes, músicas e toda uma vida
agora não passa de sombras
cuja luz carregou para a eternidade.
E, um dia, também me levará
deixando, para os que me odeiam,
uma vaga lembrança e , para os que me
amam, a saudade e a esperança
de um dia me encontrarem ou não.
“Porque todo encontro é também despedida” e
isso fazemos todos os dias. Talvez possamos
nos reunir em outras mesas, ouvir as mesmas
músicas e nos despedir outras vezes como
sempre fizemos em vida.
Tarcísio Souza
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